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sábado, 5 de novembro de 2011

Cuidado! Tênis novo, pisada nova...


Recentemente, fui chamado em caráter de urgência para atendimento domiciliar de uma paciente jovem que apresentava fortes dores na perna esquerda.


O exame físico revelava pontos miofasciais na região pré-tibial e limitação da marcha em face da baixa amplitude de movimentos do pé esquerdo.

Durante a consulta, a a paciente referiu ser atleta amadora, habituada a atividade física de alta intensidade como meia-maratonas. Por isso mesmo não compreendia porque após participar de um desses eventos, desenvolveu o quadro de dor aguda.

Referiu que tomava todos os cuidados na prática esportiva, sempre supervisionada por profissionais capacitados. Fazia uso de tênis apropriado e que recentemente havia passado por uma avaliação fisioterápica para o desenvolvimento de uma palmilha para correção de sua "passada" e aprimoramento de sua técnica de corrida. Para tanto comprou ainda um par de calçados profissionais para corrida.

Era evidente o descontentamento e a dúvida da paciente.

Contudo uma simples pergunta foi suficiente para determinar a causa do quadro que se apresentava...

Ao ser perguntada quando havia comprado seus novos equipamentos, a paciente referiu que fora uma aquisição recente, dias antes da participação de uma meia-maratona. Eis o problema...

Ao fazer uso de acessórios cinético-terapêuticos devemos observar um período de adaptação. Quando os dispositivos promovem uma nova forma de pisar há consequentemente um novo tipo de recrutamento dos grupamentos musculares envolvidos neste processo. Haverá um período de desconforto característico onde a musculatura se adaptará progressivamente ao novo equilíbrio dinâmico promovido pela associação da palmilha ao tênis de corrida.

Ao não realizar tal adaptação antes da participação de eventos esportivos extenuantes como uma corrida de longa duração, a paciente submeteu sua musculatura a um novo e intenso processo de trabalho propiciando ao instalação da síndrome miofascial (você encontra postagens sobre essa síndrome em nosso blog).

Administramos o correto tratamento e sugerimos o repouso adequado até a reversão total dos sintomas.

Assim, verificamos aqui a importância do bom diagnóstico através de uma consulta médica apropriada. Salientamos ainda que o mesmo processo ocorre sempre que compramos calçados novos. Portando cuidado ao adquirir novos produtos para uso pessoal, quer seja para lazer ou esportivo, pois nem sempre o muito caro é necessariamente o que você precisa. Faça sempre avaliações especializadas ao praticar esportes e respeite todas as orientações dos profissionais envolvidos.

Um grande abraço,

Alexandre H. Eller


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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Doutor aonde está meu bebê? VANISHED TWIN - A Síndrome do Gêmeo Desaparecido!


Há poucas semanas fui procurado por uma paciente pedindo esclarecimentos sobre uma situação muito perturbadora. Ela havia se consultado com outro profissional mas permanecia com dúvidas sobre o que estava acontecendo.

Em suas mãos, algumas ultrassonografias...

Tratava-se de uma gestante ainda com cerca 12 semanas (2º mês). Seus exames eram claríssimos! A primeira ultrassonografia mostrava dois embriões com 6 semanas. Gêmeos Fraternos (não idênticos)!

Cada um possuía placenta e bolsa amniótica próprias. No entanto, no segundo exame, realizado nas últimas 24 horas, mostrava apenas um feto com 12 semanas.

Não restava dúvidas! Um gêmeo havia desaparecido!..

Naturalmente ela perguntava aonde está meu bebê?!?

A resposta, apesar de simples, pode gerar dúvidas e surpresa a qualquer pessoa. Infelizmente um dos gêmeos havia perecido. Não é tão incomum que as gestações gemelares apresentem algumas complicações. Dentre as mais comuns podemos citar a prematuridade e gêmeos de diferentes tamanhos (mesmo quando idênticos).

Neste curioso caso ocorreu um fato muito bem descrito na literatura médica o VANISEHD TWIN (no inglês "gêmeo desaparecido"). Nestes casos, em ocasiões precoces da gestação de gêmeos ocorre a interrupção espontânea de uma das gestações, ou como dito popularmente, um aborto, sem qualquer sinal de dor sangramento ou outro sintoma. Muitas vezes tal fato não chega nem a ser registrado pois muitas gestantes só realizam a primeira ultrassonografia acima das 10 semanas.

Mas porque isso acontece? 

Vamos pensar sob o seguinte aspecto, a gestação humana é um processo fino e delicado. Para que uma gravidez ocorra tranquilamente todas as funções vitais da mãe e do filho devem ser normais e constantemente preservadas.

Naturalmente, sabemos que durante a gravidez todos os órgãos da mulher trabalham em sobrecarga e desta forma exigem mais do corpo da mãe. 

Agora imaginem a gestação de gêmeos!..

São duas novas vidas que devem ser geradas e sustentadas por cerca de 40 semanas. Podemos dizer simplesmente que se trata do dobro de trabalho e as funções que normalmente antederiam apenas a uma criança, agora devem ser suficientes para sustentar duas.

Mas o que ocorreria se as chances de um dos fetos fosse comprometida por um defeito genético ou fisiológico? Como sustentar a gestação de gêmeos se um deles está comprometido desde o início de seu desenvolvimento?

São em situações como estas que percebemos a complexidade da vida humana, o quanto nossos corpos são programados para se adaptar e sobreviver a diferentes situações.

Na Síndrome do Gêmeo Desaparecido um dos fetos perece em favor da preservação da vida daquele que tem mais chances de sobrevivência. 

Há aqueles que vejam nesta situação, sob o aspecto da espiritualidade ou da poesia, o irmão que se sacrifica para a o benefício do outro. Mas isso não nos cabe discutir afim de respeitar a liberdade de credos e a ética.

Mas em verdade, de alguma forma, a escolha do filho mais viável é feita e as funções maternas são preservadas a tal ponto que a mulher nada sinta ou demonstre. Chegando ao ponto de total reabsorção do feto perecido sem haver qualquer sinal daquela gestação outrora detectada.

Enfim, com muito cuidado, tentei confortar aquela futura mãe, dizendo que o que ocorrera não era fruto de uma doença em curso mas sim o desfecho mais favorável para que aquele filho sobrevivente se desenvolvesse com maior chances de uma gravidez normal e tranquila.

Mais conformada, ela se foi um pouco mais tranquila do que chegou.

E eu fiquei ali, grato por poder ajudar, perguntando-me porque se torna cada vez menos frequente dar as informações tão necessárias ao conforto de nossos semelhantes... 

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Pseudociese ou Folie des Deux?

Meus caros amigos hoje trago um aspecto interessante da prática médica. Vez por outra somos surpreendidos por situações raras e inusitadas. A que hoje relato é certamente uma delas! Como de costume infomações foram omitidas por motivos éticos-legais.


Certa vez em um serviço de emergência um médico atendeu uma gestante para a realização de uma ultrassonografia. A paciente fora encaminhada por estar em gestação acima do 4º mês, exibir sangramento e sentido dores ritmadas em baixo ventre.


Como de praxe o médico realizou algumas perguntas sobre exames anteriores e sintomas e obteve respostas positivas sobre a realização de exames laboratoriais e ultrassonografias prévias constatando a gestação em curso de maneira normal. Era evidente a preocupação do casal em relação ao concepto vindouro.


No entanto, ao proceder ao exame o médico não constatou quaisquer sinais de gestação dentro do útero. Imediatamente, o profissional continuou o procedimento em busca de sinais de gestação ectópica (fora do útero). Tal situação poderia respresentar um risco grave a vida da paciente e deveria ser prontamente diagnosticada!


Contudo, nenhum outro resultado foi obtido a não ser a constatação de um exame ginecológico compatível com Ovários Micropolicísticos (recomendamos a leitura do post em nosso blog).


Preocupado o médico mostrou o exame para a paciente e seu acompanhante na tela do seu aparelho. Ao receber o notícia de que não havia qualquer sinal de gestação presente ou interrompida recentemente (nos últimos 30 dias), a paciente começou a sentir cólicas cadas vez mais fortes e seu acompanhante continuava a afirmar que os exames recentes (nos quais estava presente) demonstravam a gestação de mais de 4 meses.


Ao se retirar da sala de exame o médico soliticou que fossem resgatados no sistema de laudos todos os exames prévios do referido caso para formar uma opinião mais concreta. Estes revelaram uma surpreendente situação...


Nenhum exame laboratorial ou ultrassonográfico anterior havia sido positivo para gestação em curso. Ao contrário todos foram claros e específicos no sentido de corroborar o diagnóstico de Síndrome de Ovários Micropolicísticos.


Em certas situações o desejo de gestar provoca estados psicossomáticos de natureza conversiva. Em outras palavras, o desejo se manifesta no corpo da pessoa. Neste caso, o desejo foi tão intenso que a paciente exibia o abdome distendido e todos os sintomas relativos a uma gestação - isso se chama Pseudociese.


Mas em situações raras a psicose conversiva é partilhada pelo casal. Isto mesmo! O casal realiza consultas, exames e, ao receber informações contrárias ao seu desejo, elaboram uma fantasia mútua onde vêem, escutam e sentem. São capazes de ouvir os batimentos de um bebê que nunca existiu, sentir seus movimentos ao toque na barriga distendida, ter enjoos matinais. Tudo o que aconteceria numa gestação normal. A esta não frequente situação chamamos Folie des deux!


Espero que tenham apreciado a curiosa e surpreendente história.


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domingo, 9 de outubro de 2011

Brincar é coisa séria!

Meus amigos eu peço licença para lhes pedir um pequeno favor: Leiam esta publicação mesmo ela sendo um pouquinho longa. Seguindo a nova linha ideológica do Blog trago um post que abrange também cidadania e um pouquinho de saúde.

O dia das crianças tá chegando e hoje passei no shopping para seguir nessa romaria que nós passamos em prol da alegria dos nossos filhos. E vendo tantos pais comprando um sem número de coisas para agradar seus filhos eu não pude deixar de pensar...

...meus filhos tem tanto! Tantos brinquedos, roupas e mimos que fica difícil saber exatamente o que eles tem. Sabe, dá um aperto no coração saber que muita coisa fica ali, parada na prateleira ou intocada no fundo de uma caixa ou gaveta.

Cada brinquedo não utilizado é como um livro nunca lido. Cada um desses mimos excessivos representa a alegria de outras tantas crianças que fica ali, também no fundo de uma gaveta de impossibilidades...

A gente pensa que está fazendo um bem aos nossos filhos mas na verdade ensinamos que Mais é cada vez Menos...

Falei ao meu filho Arthur: -Filho vc tem tantos brinquedos e nem usa muitos deles! O que vc acha de dar um pouco para outras crianças que não podem comprar?

Em uma resposta simples e honesta ele disse: -E eu vou ficar sem brinquedos?

Respondi que não, que ele ainda teria muitos brinquedos para brincar e que ainda ganharia um novo boneco.

Mas uma vez respondeu de maneira clara: - Mas esses brinquedos são todos meus!!! (Deixando estampada na cara sua insatisfação e nenhuma intenção de se desfazer de nenhum dos seus mais de 30 itens)

No excesso nossos filhos aprendem a desvalorizar o que tem. E no apego não aprendem a alegria de compartilhar da alegria de outros.

Meus sobrinhos Juliana e Victor colaboram com uma ONG que dá assistência a crianças carentes e já separei vários brinquedos do Arthur para dar (a exemplo do que já procuramos fazer no Natal).

Tenho um filho com necessidades especiais e passei muito tempo com ele em terapias ocupacionais, fono e fisioterapia. Todos os profissionais me orientaram a não apresentar diversos brinquedos ao mesmo tempo para uma mesma criança (especial ou não) pois isso divide a atenção dela e não dá chance para que ela explore sua imaginação e as possibilidades de cada brinquedo.

Brincar é coisa muito séria! Brincar é o primeiro estímulo para o desenvolvimento da mente infantil. As brincadeiras ensinam muito do que o cérebro irá realizar durante toda a vida. Mas brincar ensina principalmente valores e a sociabilidade.

Então eu peço, não, na verdade eu lhes imploro: pensem nos seus filhos mas não esqueçam dos filhos do outros. Lembrem-se que eles também merecem uma bola, uma pipa, uma boneca! Qualquer coisa que simbolize que somos todos iguais e que, em um mundo mais justo, há mais possibilidades na busca da felicidade.

Lembro que meu pai um dia me disse que em sua infância de curtas possibilidades ele pegava 4 palitos usados de fósforo e um chuchu e que aquilo era seu boizinho para brincar. A brincadeira durava pouco tempo pois o chuchu tinha de servir de alimento em seguida. Ele não verteu lágrimas enquanto me relatava essa parte de sua vida mas seus olhos deixaram escapar aquela tristeza de um menino pobre e descalço que só tinha sua imaginação para brincar...

Sinto muito pelo meu pai menino sem brinquedos. 

Sinto profundamente pelas crianças paradas ao meu lado no semáforo brincando com latas vazias de refrigerante enquanto meu filho pula em pé numa caixa de brinquedos em casa.

Perdoem-me por não ser breve.

Mas eu queria deixar bem claro porque apresento finalmente meu pedido.

Doem parte dos brinquedos dos seus filhos. Aqueles que ele nem lembra que tem ou com mais de 30 dias que não são utilizados.

Procure alguém ou alguma instituição e faça uma pequena diferença na vida de uma criança.

Ainda dá tempo! Quarta-feira ainda está longe!

Obrigado por sua atenção. Feliz dia das crianças!

Alexandre H. Eller

PS - transmitam, compartilhem, marquem, curtam, sei lá! O que for preciso, mas por favor transmitam essa idéia a frente. Se vc pensar bem não custa nada, um clique e já foi! De repente seu coração pode ficar mais leve e uma criança ganhe presente inesperado nesta quarta...

O grupo solidário de coração tem uma página no facebookl e lá podemos encontrar um relação dos postos de coleta.